Curiosidade + Determinação + Paixão

"Desde muito pequena, eu sempre fui muito curiosa para entender como as coisas funcionam. Na primeira década da minha vida, essa paixão me levou a montar pulseiras, criar ideias de jogos de video game e fazer websites. Na segunda década, essa paixão me levou ao MIT e a descoberta de que nasci para empreender. Desde então, venho trabalhando em diversos projetos que, de uma maneira ou de outra, visam melhorar a vida das pessoas por meio de soluções inovadoras."

− Bel Pesce

Quem é Bel Pesce?

Bel Pesce é empreendedora e fundadora da FazINOVA. Nascida e criada em São Paulo, Bel estudou no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Durante a faculdade, trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank, e terminou vários cursos: Engenharia Elétrica, Ciências da Computação, Administração, Economia e Matemática, além de fazer programas em Liderança e Inovação.

Sua companhia atual, FazINOVA, oferece conteúdo para que você descubra e desenvolva seus talentos. Bel também é sócia da Lemon Wallet, a sua carteira em versão digital. Antes disso, ela gerenciou três times de engenheiros na Ooyala, a plataforma de vídeo online líder em monetização e relatórios de analítica.

Bel é autora do livro digital gratuito sobre como o empreendedorismo pode mudar vidas: “A Menina do Vale”, que passou a marca de 1 milhão de downloads em menos de 3 meses após seu lançamento. A versão impressa do livro, publicada em Agosto de 2012, entrou rapidamente para a lista de bestsellers do país. Seu segundo livro, Procuram-se Super-Heróis, também é um bestseller.

Em 2012, Bel foi nomeada “Jovem empreendedora do ano” pelo Prêmio Jovem Brasil, foi listada como uma das “100 pessoas mais influentes do Brasil” pela revista Época e seu livro foi votado “Melhor livro do ano” pela Arata Academy.

“Quer conhecer mais sobre mim? Continue lendo…”

Um sonho que parecia impossível

belnenem

"Eu nasci em São Paulo, em uma família simples, mas repleta de amor. Foi somente aos 17 anos que aprendi sobre o MIT, uma das melhores universidades do mundo. Não demorou muito até o MIT se tornar o meu maior sonho. Mas esse era um sonho muito distante."

− Bel Pesce

As chances estavam contra mim: apenas 100 pessoas ao redor do mundo são aceitas a cada ano. Quantos prestam MIT? Mais de 3500. E a grande maioria desses aplicantes são os melhores de seus países. Além disso, seria praticamente impossível conseguir pagar o MIT. E para dificultar as coisas um pouquinho mais, eu só descobri sobre o MIT alguns dias antes do prazo para entregar todos os documentos. O processo de aplicação é extenso e complicado. Já havia passada a data para me inscrever na prova de múltipla escolha SAT e também para ser entrevistada por um ex-aluno do MIT.

“O ‘não’ eu já tinha. Queria ver se conseguia transformar aquele ‘não’ em ‘sim’.”

Mudando o jogo

Todo mundo me falou que era muito tarde e eu devia desistir. Mas aprendi cedo que ter perseverança e dar o melhor de si pode fazer milagres. Se eu não fizesse nada, com certeza não seria aceita. Então parti para a missão de tornar o “não” em “sim”. Fiz duas coisas um tanto malucas. Primeiro, descobri o endereço de um ex-aluno do MIT em São Paulo e fui bater na sua porta. Como eu não sabia o que era essa tal de entrevista, coloquei tudo que fiz na vida em uma caixa de papelão, que levei comigo para mostrar ao ex-aluno que trazia meu coração e minha vida para aquela entrevista.

Segundo, apareci nas provas do SAT e implorei por um exame, mas infelizmente as provas vinham contadas dos Estados Unidos. Pedi para esperar e ver se havia alguém que faltasse, mas me asseguraram que isso não iria acontecer. Em uma cena dramática, fiquei ali à porta, vendo as pessoas entrarem e sentarem em frente aos seus exames. Mas um assento continuou sempre vago e acabei fazendo esse exame.

O impossível aconteceu e cada uma das partes do processo deram muito certo. No dia 18 de março de 2006, eu recebi uma carta dizendo que eu havia sido aceita no MIT. Nossa, eu não acreditava. Sabia que minha vida iria virar de cabeça pra baixo depois daquilo! Mas a celebração foi rápida, pois tinha que focar em uma nova missão: como pagar o MIT?

Aulas para todos os lados

No mesmo dia que recebi a carta de admissão, eu saí correndo para o meu colégio, o Etapa, para pedir um emprego. Eu conversei com um dos diretores, o Ed, expliquei que tinha 6 meses até começar o MIT e gostaria de trabalhar dia e noite no Etapa. O MIT era meu sonho e não o sonho dos meus pais, e então eu queria pagá-lo com meu próprio dinheiro, ao invés de enterrar meus pais em empréstimos. O Ed acabou sendo uma das pessoas que mais me ajudou nessa vida: ele concordou em me dar o emprego.

Chegando no MIT, havia tantas coisas maravilhosas para se aprender que a minha maior prioridade era descobrir como eu podia agarrar o mundo com as mãos. Eu não queria piscar os olhos. Além disso, eu queria trabalhar todos os dias para juntar um pé de meia e conseguir pagar o MIT sem ter que incomodar os meus pais.

Eu sempre amei tecnologia e negócios, e decidi que tinha que aprender o máximo sobre esses dois tópicos. Eu primeiro foquei em tecnologia, estudando Engenharia Elétrica e Ciências da Computação. Eu aprendi muitas coisas novas, de como desenvolver software a como design novos telefones celulares. Depois disso, resolvi estudar Matemática. Aprendi várias outras coisas, de probabilidade a algoritimos de análise.

Trabalho para todos os lados

Para colocar em prática esses aprendizados, eu trabalhei em diversas companhias. Na Microsoft, trabalhei no Windows Mobile e depois gerenciei a equipe do Touchless. Na Google, trabalhei no Google Translate, inovando os sistemas por trás do tradutor. No MIT Media Lab, fiz vários projetos de pesquisa. Para me tornar uma engenheira mais completa, focando também nas habilidades com pessoas, eu participei do MIT Gordon Engineers, um programa sensacional sobre Liderança.

Eu estava amando aprender mais e mais sobre tecnologia, mas como também sou apaixonada por negócios, comecei um diploma de Administração na MIT Sloan School. De contabilidade a operações a finanças, eu aprendi muitas coisas novas. Para aprender na prática como é o mundo de finanças, eu trabalhei em Wall Street, no Deutsche Bank. Mas ainda queria aprender mais, então comecei um diploma em Economia e aprendi muito sobre Políticas Públicas, Teoria dos Jogos e vários outros assuntos muito interessantes. E também trabalhei como consultora, analisando relatórios anuais de companhias para aprender quais estratégias estão sendo usadas para maximizar rendimentos.

Encontrando minha paixão

Eu amei cada uma dessas experiências, mas finalmente descobri a minha maior paixão, empreendedorismo, quando participei de uma competição de planos de negócios, a MIT 100K Entrepreneurship Competition. Com alguns amigos, criei uma equipe e fizemos um projeto muito interessante que chamamos de MeshPhone. O gol era aumentar a cobertura de celulares nas áreas rurais da África. A idéia era a seguinte: todo celular tinha uma antena com um alcance de 15 kilometros e poderia falar de graça com os outros celulares. Mas aqui está o segredo: se você estivesse a 15 kilometros de mim e eu estivesse a 15 kilometros do seu amigo, você ainda poderia falar com o seu amigo de graça, roteando a ligação pelo meu telefone.

Nós montamos um protótipo, testamos em Gana e criamos um plano de distribuição. Fomos finalistas da competição e foi uma experiência sensacional. Com esse projeto, aprendi que o meu maior sonho era criar uma companhia que tocasse milhões de vidas de uma forma positiva. Além de hardware, também comecei uma companhia focada em software, What If, um website que estimula a criatividade e chama a atenção para o valor da colaboração.

Vale do Silício

Eu me formei em junho de 2010 e depois disso decidi me juntar a um programa único entre Google e MIT, no qual eu podia fazer o mestrado na Google, no Vale do Silício. Fiz metade do programa e percebi que estava vivendo uma vida dupla: durante o dia, eu programava e elaborava novas pesquisas. Durante a noite, ia a eventos sobre empreendedorismo e conhecia pessoas e projetos novos.

Então o meu sonho de empreender falou mais alto. Eu conheci três funcionários da Google que tinham acabado de sair da Google para fazer a sua própria companhia, a Ooyala. Eles tinham a visão de criar um serviço inovador para vídeo online, focando em relatórios de analíticas e monetização. Eles precisavam de alguém para gerenciar Produto e me convidaram para fazer parte da equipe.

Trabalhar na Ooyala foi sensacional. A equipe era composta por algumas das pessoas mais motivadas e inteligentes que eu já conheci. Eu aprendi muito sobre como administrar e crescer uma companhia. Na época que conheci a Ooyala, haviam 20 funcionários. Quando sai, haviam mais de 200. Na Ooyala eu tive a oportunidade de ser Gerente de Produto e liderar três times de engenheiros. Além disso, eu continuei o meu mestrado no MIT e durante esses anos lancei a Tisk-Task, um organizador de tarefas voltado para comunidades.

Aprendizados compartilhados

Depois de um ano e meio na Ooyala, eu decidi que queria dedicar 100% do meu tempo a uma companhia que eu pudesse ver crescer desde o primeiro dia. Eu encontrei dois empreendedores fenomenais da América Latina e me juntei a eles para fazer a Lemon acontecer. A Lemon é um aplicativo que cria uma réplica digital da sua carteira, no telefone. Lançamos o produto 13 de Outubro de 2011 e o crescimento tem sido super acelerado, com mais de 1 milhão de usuários após 3 meses do lançamento.

Enquanto a Lemon crescia e eu acumulava cada vez mais aprendizados, eu resolvi compartilhar algumas lições que mudaram minha vida. Em Maio de 2012, lancei o livro digital “A Menina do Vale”. Escrevi com o coração e o disponibilizei gratuitamente na Internet — tudo que eu queria era que mais pessoas tivessem acesso a esse conteúdo.

Foi uma grande alegria ver o livro gerar cada vez mais interesse e ver o boca a boca levar mais de 1 milhão de pessoas a fazerem download do livro no ano passado. Dia após dia, recebia mais mensagens de pessoas que agradeciam pelo conteúdo.

A voz que me chamou

De repente, uma voz se formou, e pessoas ouviam quando eu falava sobre a importância da educação. Todo dia, eu acordava e ia dormir pensando como eu podia usar essa voz para o bem, para melhorar o país e depois o mundo. A voz continuava crescendo, e com ela minha vontade de colocar em prática algumas iniciativas relacionadas a educação com as quais eu tanto sonhava.

Nesse meio tempo, um outro sonho se tornou realidade e eu fui escolhida TED Fellow, um programa maravilhoso que engloba participar da conferência TED e conhecer pessoas dos mais diversos ramos. Não desgrudei de todos que trabalhavam com educação.

FazINOVA

Em Fevereiro de 2013, depois de 7 anos estudando, trabalhando e empreendendo nos Estados Unidos, eu resolvi me mudar de volta ao Brasil e trabalhar com empreendedorismo e educação, fundando a FazINOVA. Em Abril, os primeiros cursos FazINOVA foram lançados e desde então, cerca de 500 alunos passaram por algum curso presencial da FazINOVA.

Desenhei esses cursos olhando para as pequenas e grandes coisas que mais me geraram oportunidades e que, ironicamente, muitas vezes não foram aprendidas na escola. A visão para a FazINOVA é desenvolver conteúdo que ajude as pessoas a encontrarem seus reais talentos e paixões, e possam desenvolvê-los ao máximo.

Ao longo da minha vida, eu ouvi muitos conselhos. Eu conheci mentores que mudaram minha vida pra sempre e me ajudam muito a crescer. O meu conselho para você é para se cercar de pessoas inteligentes, motivadas e apaixonadas pelo que fazem. E daí trabalhar arduamente em algo que você ama. Não há como dar errado com essa receita.

“Tudo é possível se você se dedicar de cabeça e coração.”